Realidade Virtual do Jeremias

Por Carlos Eduardo Ferrazza e Pietro Pozzebon

45 anos, a família o condenava. Gostava de desenhos animados. Formado em ciências da computação, seu primeiro beijo foi aos 27 anos. Jeremias era o tipo do cara que não tinha sonhos, vivia uma realidade virtual, focada em seu trabalho de manutenção de sites adultos. Conhecia todas as mulheres pela internet. O que fazia dele um megastar virtual. Alguém com quem todas as mais gatas e belas atrizes pornôs gostariam de sair.
Contudo Jeremias tinha um problema que estava disposto a solucionar. Não agüentava mais o fato de ser somente conhecido no mundo virtual e ser ridicularizado na rua por ter apenas uma orelha. Decidido a mudar, foi duro e objetivo como em uma poesia concreta. – “De hoje não passa, vou perder minha virgindade.”
De chinelo, bermuda, camiseta, moleton e capuz para tampar a sua única orelha, saiu de casa, decidido a encontrar-se com alguma prostituta. Caminhou tanto, mas tanto!, Que a tira da Havaianas soltou. Cansado, conseguiu chegar ao subúrbio da cidade. Logo encontrou uma bela garota, parada na esquina de uma avenida bem movimentada. Loira, alta, olhos azuis, com um belo corpo emoldurado em um vestido preto de seda. Foi até ela e a cumprimentou cordialmente, cheio de incertezas e dúvidas ele perguntou o preço do programa. Ao mesmo tempo em que as palavras saiam de sua boca, os palavrões saiam da boca da garota que injuriada pelo fato de ser confundida com uma prostituta ridicularizou Jeremias.
Fez-se de tonto e saiu de fino. Inconsolado pelo acontecimento foi até o ponto de ônibus e decidiu que ia usar o dinheiro que tinha para voltar à sua casa mesmo não conseguindo ser efetivo em sua missão. Eram exatamente onze horas da noite, quando uma garota se aproximou e começou o dialogo inocente. Jeremias desacreditado, nunca imaginara que aquela menina, era uma de suas fãs no mundo virtual e o conhecia no mundo real. – Oi meu nome é Juliana, tudo bem Jeremias? Espantado e sem entender como ela sabia seu nome foi logo surpreendido pelo ataque nervoso da menina. Que lhe deu um beijo e começou a abrir o zipper de sua calça naquela rua escura e sem movimentação alguma.
Sem entender nada, porém adorando toda aquela cena, Jeremias pensava apenas em uma coisa, não posso ser fraco na minha primeira vez. A ejaculação estava iminente, quando não mais havia o que fazer falou. Vou gozar, posso? Juliana espantada: -“Engolir eu não engulo”, disse antes de engasgar. Tarde demais, Jeremias guardou os seus pertences, fechou o zipper e pegou o ônibus que acabará de chegar. Missão incompleta, Jeremias voltou para o mundo virtual.

~ por sandrogalarca em maio 11, 2010.

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