Não há espaço para reflexão
Por Rafael Zen, Carolina Craveiro, Maicon Galitzki e Filipe dos Reis
Parecia molhado. O suor fazia o travesseiro parecer espesso. Era madrugada, mas já estava claro pela luz do teto. Acordou com a arma na mão e um cadáver ao seu lado. O homem que eu era não era mais nada. Tateei o chão com os dedos do pé, numa esperança quase doentia de ter lembrado dos chinelos. Decidi dormir de novo.
Algo pulsava em meu peito. Um rosto estranho fazia minha barba no espelho. Pela primeira vez me senti bem-vindo. Como se meu corpo tivesse uma nova casa.
A partir daquele dia pediria prato para dois. Levantei e joguei meu bolso sobre a mesa. A rua tinha uma mulher. Menos bonita, menos sexy. Todos os dias aprendia a morrer um pouco. Não sobrou nada. Minhas mãos pingavam, mas segui até ela.
Meus sentidos confundiam-se e pedi um cigarro. A rua era negra e eu pela primeira vez não sentia a escuridão. O cigarro tinha gosto de sangue, ela não gritou. Foi-se o gosto do cigarro. Preciso acordar com o seu cabelo coçando o meu rosto. Em cama fria, úmida, mas sem solidão.
