Eis um ser das trevas
Por Laiane Cristofolini, Jessica Peixer e Morgana Guimarães
Era noite. Pela janela do quarto, viu as luzes dos postes tremeluzirem. Um vento gelado entrava pela janela semi-aberta. Por um instante não conseguiu se mover. Aos poucos a letargia foi passando, e o mundo parecia real outra vez. Lembrou-se dele. Era seu melhor amigo, agora parecia-lhe um estranho.
Levantou-se da cama e vestiu-se. Cambaleando, saiu pela porta da sala e chegou à rua. O vento soprava ensurdecedor e chovia forte. Não se via alma viva na rua, mas as mortas já rondavam por ali. A dor era dilacerante, e já não tinha forças pra seguir. Continuou caminhando. Escutou um barulho, lentamente virou-se. A dor não passava. Viu o carro. Pulou. O carro passou.
Seguiu mais alguns metros, logo a frente já se via o portão de ferro. Caminhou até ele e empurrou. O portão rangeu. Passou por ele. Pouca coisa se via. A chuva parou e uma nevoa cobriu tudo e lhe impedia de ver nitidamente as coisas. Seu pé esbarrou em algo. Agachou-se, era uma pá, pegou-a. Algo bem útil quando se encontra em um cemitério. Deu mais uns passos e o viu. Seus olhos, duas mentiras.
Ele a olhava com um sorriso no rosto. Com certeza ficou feliz ao ver sua imensa tristeza. Mas ele já não mais pertencia aquela vida. Aquele rosto já nada lembrava seu melhor amigo. Era um ser da escuridão. Esperou ele se aproximar. Ergueu a pá o quanto pode, e acertou a cabeça que rolou para longe. Estava feito. Arrastou o corpo para uma cova aberta e o jogou lá. Cobriu-o com terra. A cabeça jogada no chão a olhava, petrificada. Pegou a cabeça e levou-a consigo. Uma lembrança daquela triste história, que não conseguira desfazer. Era um lembrete, para evitar aborrecimentos futuros. Mas havia aprendido a lição. Aquele ser das trevas, conhecido como ex-namorado não lhe iludiria mais.
